Doação de sangue: novas regras já estão valendo; veja o que mudou

Saúde e qualidade de vida

Doação de sangue: novas regras já estão valendo; veja o que mudou

Por Redação Villa UP • 07/10/2026 • 9 min de leitura

Mudanças nos critérios de doação entraram em vigor em 30 de setembro e alteram prazos relacionados a tatuagens, procedimentos estéticos, endoscopia, idade dos doadores e outras situações. Entenda o que mudou e quem pode doar.

Se você já fez uma tatuagem, colocou um piercing, realizou um procedimento estético ou chegou aos 70 anos e achou que não poderia mais doar sangue, uma mudança nas regras pode alterar essa situação.

Desde 30 de setembro de 2026, estão valendo no Brasil novos critérios para doação de sangue estabelecidos pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 11.685/2026.

A atualização modifica diversos critérios de aptidão para a doação, reduz alguns períodos de espera e também incorpora novas medidas para aumentar a segurança das transfusões.

Uma das mudanças que mais chama atenção é a possibilidade de doadores regulares continuarem doando depois dos 70 anos, desde que estejam saudáveis e sejam considerados aptos na avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia.

Mas essa não é a única novidade.

O que mudou para quem fez tatuagem ou procedimento estético?

Essa é uma das mudanças que pode interessar diretamente a muitas pessoas.

Pelas regras anteriores, tatuagens, maquiagem definitiva e determinados procedimentos realizados sem condições adequadas de avaliação podiam resultar em períodos longos de impedimento temporário.

Agora, em determinadas situações, o prazo pode ser bem menor.

Quem fez tatuagem, maquiagem definitiva ou alguns procedimentos estéticos, como aplicação de botox, preenchimento ou microagulhamento, poderá doar sangue após sete dias, desde que seja possível verificar que o procedimento foi realizado em local que atende às normas de segurança sanitária.

Quando não for possível comprovar essas condições, o período de espera passa a ser de quatro meses.

Isso significa que fazer uma tatuagem não impede necessariamente a pessoa de doar por meses.

O ponto principal passa a ser a possibilidade de avaliar a segurança sanitária do procedimento.

E no caso dos piercings?

Também existem critérios específicos.

Para piercings em determinadas regiões, a regra considera o local e as condições em que o procedimento foi realizado.

No caso de piercing na boca ou na região genital, por exemplo, a doação poderá ocorrer quatro meses após a retirada.

Por isso, quem fez um piercing não deve simplesmente assumir que precisa esperar um determinado período. A situação deve ser informada durante a triagem do hemocentro.

Quem tem mais de 70 anos pode doar?

Sim, mas existe uma condição importante.

A nova regulamentação permite que doadores voluntários regulares continuem doando depois dos 70 anos, desde que permaneçam saudáveis e sejam considerados aptos na avaliação médica.

Ou seja, a mudança não significa que qualquer pessoa acima dos 70 anos possa chegar ao hemocentro e doar automaticamente.

A aptidão continua sendo avaliada individualmente pelo serviço de hemoterapia.

A mudança representa uma alteração importante porque, anteriormente, o limite de idade fazia com que até mesmo pessoas que doavam regularmente precisassem interromper as doações ao completar 70 anos.

Outros prazos também foram reduzidos

A atualização não trata apenas de tatuagens.

Segundo o Ministério da Saúde, o período de espera para quem passou por endoscopia ou utilizou anabolizantes sem prescrição médica, por exemplo, caiu de seis para quatro meses.

Também houve alterações relacionadas a outras situações clínicas, procedimentos e medicamentos.

Isso não significa que todas as pessoas que passaram por esses procedimentos estarão automaticamente liberadas para doar.

A avaliação continua sendo individual e depende das condições específicas de cada candidato.

A mudança também envolve a segurança do sangue

As novas regras não foram criadas apenas para aumentar o número de pessoas aptas a doar.

O Ministério da Saúde afirma que a atualização também busca reforçar a segurança das transfusões, melhorar a rastreabilidade do sangue e acompanhar avanços laboratoriais e mudanças no cenário epidemiológico.

Um dos exemplos é a ampliação da triagem para malária.

O Brasil passou a utilizar obrigatoriamente o NAT Plus para identificar, além de HIV e hepatites B e C, o parasita responsável pela malária.

Com isso, também foram modificados alguns critérios relacionados a pessoas que tiveram exposição em regiões consideradas de risco para a doença.

O período de impedimento para determinadas exposições passou a ser de 30 dias, enquanto anteriormente poderia chegar a 12 meses.

As bolsas de plaquetas também ganharam mais tempo de validade

Outra alteração está relacionada às plaquetas, componentes do sangue fundamentais para o controle de sangramentos.

Com as medidas de controle de qualidade exigidas, o prazo de validade do concentrado de plaquetas poderá passar de cinco para até sete dias.

Na prática, isso pode ajudar a reduzir perdas e aumentar a disponibilidade desse componente para pacientes que precisam de transfusões, incluindo pessoas com câncer, pacientes em quimioterapia e pessoas com determinadas doenças hematológicas.

Por que essas mudanças são importantes?

O sangue não pode ser produzido artificialmente para substituir todas as necessidades dos hospitais.

Por isso, o sistema depende de pessoas que estejam dispostas a doar regularmente.

E existe outro detalhe importante: os componentes do sangue possuem prazo de validade.

Isso significa que não basta os hemocentros receberem muitas doações em determinado momento. É necessário manter um fluxo constante de doadores ao longo do ano.

Em 2025, o SUS registrou 3.264.138 coletas de sangue, uma média superior a 8,9 mil coletas por dia considerando o ano inteiro.

A taxa registrada foi de 15,29 doações por mil habitantes, o maior índice desde o período da pandemia, segundo o Ministério da Saúde.

Mesmo com a recuperação das doações, a necessidade de sangue continua sendo permanente.

Quem pode doar sangue?

As regras gerais estabelecem alguns critérios básicos.

Entre eles estão:

  • ter 16 anos ou mais, respeitando as regras específicas para menores de 18 anos;
  • pesar pelo menos 50 kg;
  • estar em boas condições de saúde;
  • ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas;
  • estar alimentado;
  • apresentar documento oficial com foto.

Adolescentes entre 16 e 18 anos precisam apresentar autorização formal do responsável legal.

Já os doadores regulares podem continuar doando depois dos 70 anos, desde que estejam saudáveis e sejam considerados aptos na avaliação médica.

Quantas vezes uma pessoa pode doar?

Para a doação de sangue total, a frequência máxima prevista é de:

Homens: até quatro doações em 12 meses, com intervalo mínimo de dois meses.

Mulheres: até três doações em 12 meses, com intervalo mínimo de três meses.

Esses intervalos existem para preservar a saúde do doador e permitir que o organismo se recupere adequadamente.

A nova regra significa que qualquer pessoa está liberada?

Não.

Esse é um dos pontos mais importantes.

Mesmo que uma pessoa esteja dentro dos critérios gerais, a doação depende da triagem realizada pelo serviço de hemoterapia.

Antes da coleta, o candidato passa por uma avaliação que considera seu estado de saúde, histórico, procedimentos realizados, medicamentos utilizados e outras informações relevantes.

Por isso, tatuagem, piercing, cirurgia, procedimento estético, uso de medicamentos ou qualquer outra situação deve ser informada corretamente durante a triagem.

A regra geral serve como orientação, mas a decisão final sobre a aptidão é individual.

Por que doar regularmente continua sendo importante?

Uma doação pode ajudar diferentes pacientes porque o sangue coletado pode ser separado em componentes, como hemácias, plaquetas e plasma.

Cada componente possui utilizações diferentes na medicina.

Por isso, uma única coleta pode contribuir para o atendimento de mais de uma necessidade, dependendo do processamento e das características da doação.

E como os estoques precisam ser constantemente renovados, a doação regular é fundamental.

Quem está pensando em doar deve procurar o hemocentro mais próximo, verificar os horários de atendimento e passar pela triagem.

A melhor maneira de saber se você está apto naquele momento é conversar diretamente com a equipe responsável pela coleta.

Em resumo: o que mudou?

Mais de 70 anos: doadores regulares podem continuar doando, desde que estejam saudáveis e sejam considerados aptos.

Tatuagem e maquiagem definitiva: o prazo pode ser de 7 dias quando houver comprovação das condições de segurança sanitária. Sem essa possibilidade de avaliação, pode chegar a 4 meses.

Botox, preenchimento e microagulhamento: também podem ter prazo de 7 dias, nas condições previstas pela regulamentação.

Piercing: existem critérios específicos conforme o local e as condições do procedimento. Piercings na boca ou região genital têm regra específica de quatro meses após a retirada.

Endoscopia: o período de inaptidão passou a ser de 4 meses.

Anabolizantes sem prescrição médica: o prazo também foi reduzido para 4 meses.

Malária: novas medidas de triagem foram incorporadas, incluindo a utilização do NAT Plus.

Plaquetas: o prazo de validade pode chegar a 7 dias, desde que sejam cumpridos os controles de qualidade exigidos.

Antes de doar, procure um hemocentro

As novas regras ampliam algumas possibilidades, mas não eliminam a avaliação individual.

Se você está pensando em doar sangue, procure o hemocentro da sua região, confirme os horários de atendimento e informe corretamente seu histórico de saúde e os procedimentos realizados recentemente.

Uma informação correta durante a triagem ajuda a proteger tanto quem doa quanto quem recebe o sangue.

Fontes e referências

  • Ministério da Saúde — novas regras para doação de sangue e dados de coleta de 2025.
  • Portaria GM/MS nº 11.685/2026 — regulamentação técnica dos procedimentos hemoterápicos.
  • Anvisa — atualização dos procedimentos hemoterápicos e período de transição regulatória.
  • Ministério da Saúde — Doação de Sangue — critérios básicos e orientações aos doadores.
COLUNISTA VILLA UP
Redação
Villa Up

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