OMS alerta para impactos do El Niño e riscos à saúde pública

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OMS alerta para impactos do El Niño e riscos à saúde pública

Por Redação Villa UP • 25/09/2026 • 5 min de leitura

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está acompanhando os impactos do atual episódio de El Niño e alerta para os riscos que o fenômeno climático pode representar para a saúde pública. Entre os principais efeitos estão o aumento das temperaturas, ondas de calor, alterações na qualidade do ar, insegurança alimentar e mudanças nas condições favoráveis à transmissão de doenças.

O alerta ganha ainda mais relevância diante da avaliação da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que aponta que o atual El Niño está se fortalecendo e pode atingir uma intensidade excepcional. Segundo a organização, caso a trajetória atual continue, o fenômeno poderá superar os níveis observados durante o período de monitoramento das últimas quatro décadas. A previsão indica ainda que o episódio deve atingir seu pico no final de 2026 e continuar influenciando as condições climáticas até 2027.

Como o El Niño pode afetar a saúde

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical. Esse aquecimento altera padrões de circulação atmosférica, temperatura e chuva em diferentes regiões do planeta.

De acordo com a OMS, essas mudanças podem afetar diretamente importantes fatores relacionados à saúde, como segurança alimentar, qualidade do ar e da água, além de favorecer condições para a ocorrência ou alteração da transmissão de doenças infecciosas.

Um dos principais pontos de atenção são as temperaturas elevadas. Períodos prolongados de calor intenso aumentam o risco de desidratação, exaustão pelo calor e insolação, além de poderem agravar problemas cardiovasculares, respiratórios e outras condições de saúde. A OMS considera o calor extremo um importante risco ambiental e ocupacional.

Risco de aumento de doenças transmitidas por mosquitos

As alterações de temperatura, chuva e umidade também podem modificar o ambiente onde vivem e se reproduzem os mosquitos transmissores de doenças.

A OMS destaca que fenômenos associados ao El Niño podem alterar os padrões de transmissão de doenças como dengue e malária, entre outras enfermidades transmitidas por vetores. Dependendo da região, mudanças no regime de chuvas podem criar novos criadouros ou ampliar temporariamente as condições favoráveis à reprodução dos mosquitos.

A dengue merece atenção especial. Segundo dados da OMS, a doença é transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, e fatores como temperatura, chuva e umidade podem contribuir para ampliar ambientes favoráveis à transmissão.

A chikungunya também está entre as doenças que podem ser influenciadas pelas condições ambientais. O vírus é transmitido principalmente por mosquitos do gênero Aedes, e a OMS mantém avaliações específicas sobre o risco de disseminação da doença.

Qualidade do ar também preocupa

Outro possível impacto está relacionado à qualidade do ar. Em determinadas regiões, períodos de seca associados ao El Niño podem aumentar o risco de incêndios florestais. A fumaça proveniente das queimadas pode elevar a concentração de poluentes e provocar problemas respiratórios.

A própria OMS aponta que condições de seca relacionadas ao El Niño podem favorecer incêndios e episódios de poluição atmosférica, com impactos que podem ultrapassar as áreas diretamente atingidas pelo fogo.

Segurança alimentar entra no alerta

As alterações no regime de chuvas e temperatura também podem afetar a produção de alimentos. Secas prolongadas ou chuvas excessivas podem prejudicar lavouras, reduzir a disponibilidade de determinados produtos e aumentar a vulnerabilidade de populações que dependem diretamente da agricultura.

A OMS relaciona os eventos de El Niño a riscos para a segurança alimentar e destaca que os efeitos podem ser mais significativos em comunidades com menor capacidade de adaptação às mudanças climáticas.

Quem precisa ter mais atenção?

Embora os efeitos variem de acordo com a região e a intensidade dos eventos climáticos, alguns grupos podem apresentar maior vulnerabilidade aos períodos de calor extremo e às mudanças ambientais.

Entre eles estão idosos, crianças, pessoas que trabalham expostas ao sol e ao calor e populações que vivem em áreas com menor acesso a serviços de saúde, água potável e infraestrutura adequada.

A OMS ressalta que muitos dos impactos relacionados ao calor podem ser prevenidos com medidas de preparação, sistemas de alerta e ações rápidas diante de eventos extremos.

Preparação é uma das principais estratégias

A avaliação da OMS para 2026 destaca a importância de os países acompanharem os riscos associados ao El Niño e fortalecerem a preparação dos sistemas de saúde. A antecipação permite que autoridades monitorem doenças, preparem serviços de emergência e orientem a população antes que os efeitos mais intensos ocorram.

Para a população, acompanhar os alertas meteorológicos e de saúde, manter a hidratação durante períodos de calor, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes e eliminar recipientes que possam acumular água são algumas medidas de prevenção importantes.

O atual El Niño ainda está em desenvolvimento, e seus impactos não serão iguais em todas as regiões. Por isso, as autoridades meteorológicas e de saúde seguem monitorando a evolução do fenômeno e atualizando as projeções.

O alerta da OMS reforça que eventos climáticos extremos não representam apenas uma questão ambiental. Eles também podem afetar diretamente a saúde, a alimentação, a qualidade do ar e a capacidade dos serviços públicos de atender a população.

COLUNISTA VILLA UP
Redação
Villa Up

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